Eu digo sempre: muito do empresariado brasileiro parece que é anticapitalista. Prefere perder um enorme mercado interno só para não dar poder aquisitivo a 150 milhões de pessoas.
Para esses anticapitalistas, basta a reduzida classe média branca.
Por absoluto ódio de classe, não querem vender suas bugigangas para o maior número de pessoas, não querem lucro, preferem fechar suas indústrias e lojas a deixar que a "negraiada" e a "nordestinada" possam consumir. (...) facebook - copiado e colado - 05-06/11/2018
Se é ame-o ou deixe-o, quero dizer que já deixei faz muito tempo.Tenho pouquíssimo interesse pessoal no Brasil. Não gosto do Brasil; é mais honesto dizer. Eu gosto é da brasilidade, essa comunidade de sentidos, afetos, sonoridades, rasuras, contradições, naufrágios, ilhas fugidias. identidades inviáveis, subversões cotidianas, voo de arara e picada de maribondo, saravá e samba. Coisas que o Brasil, o estado colonial brasileiro delimitado em marcos territoriais, a burocracia, a República, como a Monarquia, odeiam. Essa arte de viver na síncopa, no drible, na dobra do tambor, na oração dos romeiros, na dança lenta de Oxalufã, nas delicadezas do Reisado, nas rodas de cirandas, nas oferendas do Divino, na suavidade dos sons bonitos, no esporro dos tambores e na imponência calada das gameleiras. O Brasil tem verdadeiro horror da brasilidade, essa bruma incerta que une os marujos da nau sem rumo, a filha das putas, dos fodidos, dos lanhados, dos exterminados, dos encantados, contra o vento, contra o rei, contra a lei, contra o altíssimo, contra a foice, o facão, o canhão e o arado. Eu já deixei o Brasil - esse empreendimento horroroso de morte e desencanto - faz tempo e fui morar, arriar padê e cuspir marafo na encruzilhada da brasilidade, a sua maior inimiga.
Texto: Luiz Antonio Simas