Segundo matéria escrita por Marcia Disitzer, na revista Ela, do jornal O Globo (edição de 21 de janeiro de 2018)O livro "Um Mergulho no Rio" escrito pela própria jornalista é para "retratar o estilo cheio de borogodó que se vê nas ruas e favelas do Rio, de quem mistura lycra com autoestima e segue sempre em frente". O livro, segundo Disitzer, "tem como musa inspiradora a personagem Suelen, da novela 'Avenida Brasil' , interpretada brilhantemente pela atriz Isis Valverde"
Creio que o livro saiu meio atrasado, dormiu no ponto, pois o fenômeno de distribuição de renda, que mereceu manchete do jornal O Dia em 2012 --- "FAVELAS DO RIO JÁ MOVIMENTAM R$ 13 BI // Elas concentram 1.7 milhão de pessoas.Crescimento da classe C aumenta consumo"-- não existe mais. Uma quantidade sem precedentes de pessoas descobriu, coincidentemente, mérito próprio nos governos Lula/Dilma.
Nas fotos, copiadas e coladas: Xuxa, Annita, a feiticeira personagem criada por Luciano Huck e Pablo Vittar.
"A luta entre a esquerda e a direita se estende à anatomia feminina" (anotação que encontrei entre meus guardados, nos meus arquivos, na bagunça dos meus queridos papéis)
" Tenho 50 anos de cantora e um disco de ouro. Hoje a música é outra, é bunda, é aeróbica", afirmou Nana Caymmi em 2012. (Publicado na coluna de Anselmo Góis, jornal O Globo, edição de 03/01/2018)
O que Leila Diniz fez exigiu coragem, pois posar com um biquíni grávida era, na época (no Brasil), um atentado ao pudor, "um atentado à família e aos bons costumes".
Já para Ivete Sangalo nada lhe custou.
Fica aqui uma reflexão, sobre imagens tidas como novas que são, na realidade, velhas.
Leila Diniz foi uma revolucionária. Ivete Sangalo é a mulher brasileira bem sucedida que muitas brasileiras aspiram ser.
Feliz Ano Novo para todos e todas.
Fonte: Capa da revista Ela, jornal O Globo, edição de 31 de dezembro de 2017. Fotos de Leila Diniz grávida - Google.
“Pergunte sempre a cada ideia: a quem serves?”
- https://kdfrases.com/autor/bertolt-brecht
No livro "O Brasil tem estilo?" que escrevi e foi editado pela Editora Senac Nacional em 2000 (no momento está esgotado), eu já refletia sobre o "complexo de vira-lata", (expressão criada pelo escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues) que "ataca" aqueles (as), que viram as costas para a sua cultura e adotam, por exemplo, a cultura norte-americana, a cultura estadunidense.
Mulheres que se deixam abalar pela ditadura estética, provavelmente estão seguindo os conselhos do jornalista Francisco Edson Alves que escreveu: "Se você quer estar com aquela cinturinha fina nas festas do final do ano, então, literalmente, corra. Especialistas esportivos, fisioterapeutas e nutricionistas garantem que é possível, faltando cerca de um mês para o Natal e Ano Novo, perder peso consideravelmente, combinando exercícios físicos com alimentação balanceada. (...) (Jornal O dia, edição de 26 de novembro de 2017)
O fazer e o pensar na moda estão andando separados, no Brasil. Nas maioria das faculdades de design existente no território nacional, não há uma cadeira chamada costura,costurar.
Meu primo e grande amigo me traz, de presente, uma pequena carteira que tem, estampado, o rosto da artista plástica mexicana Frida Kahlo e que está batendo recorde de venda em uma banca de jornal na zona sul do Rio de Janeiro.
E eu fico a pensar: como podem ter a Frida como ídola, quando há tantas exigências em torno do corpo feminino, dentro da nossa cultura machista e conservadora? Atualmente, no Brasil , há o medo do diferente, o medo da diversidade, o medo de pensar "fora da caixa".